No dia 2 de abril, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para aumentar a compreensão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A iniciativa busca reduzir o preconceito e destacar a importância do diagnóstico precoce e do suporte adequado para pessoas autistas e suas famílias.
A psicóloga clínica Fabíola Moraes Ramos, especialista em Análise do Comportamento Aplicada, explica que os principais sinais do autismo incluem dificuldades na interação social, comportamentos repetitivos, hipersensibilidade a estímulos sensoriais, seletividade alimentar e rigidez cognitiva. “Crianças autistas podem evitar contato visual, ter dificuldades para se relacionar e demonstrar grande desconforto com barulhos, luzes ou texturas específicas”, afirma a especialista.
Além disso, a desregulação emocional pode ser frequente, especialmente diante de situações estressantes e alguns casos podem apresentar comprometimento da fala, segundo Ramos.
O diagnóstico do TEA é realizado por neuropediatras no caso de crianças e por psiquiatras no caso de adultos. Psicólogos e neuropsicólogos também participam do processo, aplicando testes psicológicos, escalas de avaliação e entrevistas com os pais e educadores. “O acompanhamento multidisciplinar é essencial para garantir o desenvolvimento e bem-estar da pessoa autista”, destaca Fabíola. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicação, que deve ser prescrita exclusivamente por médicos.
Apesar dos avanços na identificação do autismo, muitas barreiras ainda dificultam a inclusão e a qualidade de vida das pessoas no espectro. Entre os desafios mais comuns, a psicóloga cita a falta de adaptação dos ambientes, dificuldades para frequentar locais movimentados como transporte público, além do preconceito e do bullying. O acesso a terapias e medicações também é limitado, tornando a adaptação das famílias ainda mais difícil.
Para lidar com essas dificuldades, a especialista recomenda buscar ajuda especializada, conhecer estratégias para momentos de crise e oferecer recursos que possam proporcionar mais conforto. “Abafadores de ruído, mordedores e objetos de apego podem ajudar a reduzir o impacto dos sintomas”, orienta.
O desafio de criar uma criança autista também é compartilhado por Lilian Oliveira de Souza, mãe de Lívia, de sete anos. Desde cedo, Lilian percebeu que a filha apresentava comportamentos diferentes como irritabilidade com roupas, hipersensibilidade a cheiros, seletividade alimentar, dificuldades de socialização e crises de choro aparentemente sem motivo, além de outros gatilhos em crises. “No começo, achei que era coisa da minha cabeça. Mas, com o tempo, ficou evidente que havia algo diferente”, relembra.
Após avaliação com um neuropediatra, Lívia recebeu o diagnóstico de TEA e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) aos seis anos, em 2023. “Foi um choque, mas ao mesmo tempo um alívio, porque agora eu sabia como ajudá-la”, conta a mãe.
Lilian destaca que a aceitação e o conhecimento são fundamentais para auxiliar pessoas autistas. No entanto, enfrenta resistência e falta de compreensão por parte da sociedade. “Sempre escuto frases como ‘ela não parece autista’ ou ‘o autismo dela é leve’. Além disso, a escola ainda está longe de ser realmente inclusiva e respeitosa”, desabafa.
Atualmente, Lívia faz uso de medicação para TDAH, tem suporte profissional na escola e uma acompanhante no horário do almoço, pois não consegue merendar no ambiente escolar. “Ela é uma criança incrível, uma excelente escritora e ilustradora”, orgulha-se a mãe, que alegra-se por ela ser uma criança gentil e inteligente, que passa por tanto, sem perceber o preconceito.
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